quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Diálogos ferrugentos
domingo, 24 de outubro de 2010
Saudade
Mártir das minhas palavras
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
A Janela
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Descalço
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Tardes de Outono
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Medo
Tenho frio
Esta casa está gelada
Cheira a sangue
Há pó em todo o lado
Cheira a terra
Cheira a terra molhada
Há alguém nesta casa
Consigo sentir o cheiro
Consigo ouvir o som de uma respiração ofegante
Tenho medo
Sinto medo
Respiro medo
Estou a ouvir o som de passos lentos sobre o chão rijo de madeira velha
Tenho medo
Sinto medo
Inspiro medo
Um medo que me cega, perante cada som desta casa…
Sinto que está alguém a aproximar-se
Cheira a sangue
Tenho cada vez mais frio
Oiço passos
Oiço a tal respiração
Oiço um som semelhante ao arrasto
Sinto medo
Cheira a medo
Cheira ainda mais a terra molhada
Expiro medo
Consigo até ver o medo
Está a apoderar-se
Está cada vez mais próximo
Eu sinto
Ele vem aí
Personificado, e vai matar-me
Eu sei
Eu sinto-o nas veias
O frio aumenta
A casa vai desabar, eu sinto um bafejar frio no meu pescoço
Estou nervoso
Estou a tremer
Sinto o sangue a percorrer cada parte do meu corpo
Fortemente
Como se não houvesse amanhã
E não havia
Pois esse medo que senti, era apenas a encenação da minha morte.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Aquelas Ruas
Entraste nessas ruas sem pedir
E eu admirei esses passos
Foram belos e cautelosos
Esses passos foram sentidos como remendos
Mas que passos…
E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?
Ruas vazias só para mim
Para poder caminhar sem medo
Para poder dizer e fazer o que nunca foi feito
Para poder apenas respirar o que nunca foi respirado
Para poder soltar o meu ego e encontrar-me
Tenho a certeza que devo andar numa dessas ruas
Com aparência de vagabundo, nessas ruas
Que ninguém quer visitar
Onde ninguém quer morar
Onde ninguém quer morrer
Onde ninguém quer ser visto
E onde eu me perdi, sem saber
E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?
Apenas para poder correr descalço nas afiadas pedras da calçada
E sentir a dor… sentir que estou aqui e não perdido naquelas ruas
Para poder sentir que estou vivo e pronto a abandonar tais sítios
Com um ar de cobardia escondido algures entre a consciência e permanência
Com aquele ar que ninguém quer mostrar
Com aquele ar que existe, quando se visita tais ruas
Quando inconscientemente decides morar lá
Naquelas ruas… velhas, escuras, sujas e com gente
Gente que não conheces e nem queres conhecer
E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?
Para poder gritar e soltar toda a loucura que foi presa
Para poder ser eu sem que ninguém possa observar
Para poder ver aquelas ruas à minha maneira
Apenas para poder pintar anjos que nunca choram e céus que nunca caiem
Mas quem foi que roubou as paredes das minhas ruas?
Outrora, ruas de dignas de me sentir
Outrora, ruas, que apesar de ruas, eram as minhas ruas.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
As Cores
Sinto aquele cinzento a pairar no ar
Sinto que vai chover
Chuva que engole tudo ao cair
Sinto aquele vermelho que arrepia
Sinto que algo vai morrer
Morte que morde a consciência
Sinto aquele preto que me acompanha
Aquele negro que tanto atormenta
Queria tanto sentir o branco que limpa
Queria sentir o verde que acolhe
Queria sentir tantas outras cores
Que honestamente foram roubadas por alguém
Queria… mas já não sei se quero sentir
Já não sei se quero sentir as cores da mesma forma que sentia
Já não sei se quero ir mais além, das cores
Mas sinto que vem aí o cinzento
Aquele cinzento
O cinzento que me põe em estado fúnebre
O cinzento que me consome dia após dia
Numa tentativa simpática de esconder que o negro comeu o branco
Lentamente, sem ninguém perceber
O branco e o negro, mortos pela mistura
Mortos sem ninguém perceber
Sem ninguém sentir o cheiro da morte
Sem ninguém sentir que existe uma mistura que esconde identidades
Sem ninguém notar que entre o cinzento existe algo mais
Sem ninguém, como o cinzento, tenho eu medo de ficar.
domingo, 10 de outubro de 2010
Naufrágio
É com estas lágrimas que pinto esta tela
Escura e sem vida
Uma natureza morta
É com estas lágrimas que dilui-o o negro
Escuro e sem vida
Uma natureza morta
É com estas lágrimas que me escondo
Num escuro sem vida
Numa natureza morta
É nesta lágrimas que tento não naufragar
Num sito escuro e sem vida
Numa natureza morta.
No Fundo
Ruas escuras desarrumadas
Um leve cheiro a mofo
Uma carta rasgada no chão
Roupa suja em cima da cadeira velha
O sentimento de culpa que me quer matar
As tuas acidas lágrimas que corroem lentamente
Aquelas palavras que ainda magoam
O silêncio que me sufoca
O vazio que me preenche
A claustrofobia que me atormenta
A chuva que me deprime
O medo que sinto
O medo que vou ter
O futuro que tenho medo de conhecer
O passado que me rasga
O presente que me mata cegamente
As lágrimas que me lavam a cara
Eu no fundo sempre tive medo da solidão.