segunda-feira, 11 de outubro de 2010

As Cores

Sinto aquele cinzento a pairar no ar

Sinto que vai chover

Chuva que engole tudo ao cair

Sinto aquele vermelho que arrepia

Sinto que algo vai morrer

Morte que morde a consciência

Sinto aquele preto que me acompanha

Aquele negro que tanto atormenta

Queria tanto sentir o branco que limpa

Queria sentir o verde que acolhe

Queria sentir tantas outras cores

Que honestamente foram roubadas por alguém

Queria… mas já não sei se quero sentir

Já não sei se quero sentir as cores da mesma forma que sentia

Já não sei se quero ir mais além, das cores

Mas sinto que vem aí o cinzento

Aquele cinzento

O cinzento que me põe em estado fúnebre

O cinzento que me consome dia após dia

Numa tentativa simpática de esconder que o negro comeu o branco

Lentamente, sem ninguém perceber

O branco e o negro, mortos pela mistura

Mortos sem ninguém perceber

Sem ninguém sentir o cheiro da morte

Sem ninguém sentir que existe uma mistura que esconde identidades

Sem ninguém notar que entre o cinzento existe algo mais

Sem ninguém, como o cinzento, tenho eu medo de ficar.

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