Sinto aquele cinzento a pairar no ar
Sinto que vai chover
Chuva que engole tudo ao cair
Sinto aquele vermelho que arrepia
Sinto que algo vai morrer
Morte que morde a consciência
Sinto aquele preto que me acompanha
Aquele negro que tanto atormenta
Queria tanto sentir o branco que limpa
Queria sentir o verde que acolhe
Queria sentir tantas outras cores
Que honestamente foram roubadas por alguém
Queria… mas já não sei se quero sentir
Já não sei se quero sentir as cores da mesma forma que sentia
Já não sei se quero ir mais além, das cores
Mas sinto que vem aí o cinzento
Aquele cinzento
O cinzento que me põe em estado fúnebre
O cinzento que me consome dia após dia
Numa tentativa simpática de esconder que o negro comeu o branco
Lentamente, sem ninguém perceber
O branco e o negro, mortos pela mistura
Mortos sem ninguém perceber
Sem ninguém sentir o cheiro da morte
Sem ninguém sentir que existe uma mistura que esconde identidades
Sem ninguém notar que entre o cinzento existe algo mais
Sem ninguém, como o cinzento, tenho eu medo de ficar.
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