sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Janela

Olhas para a janela
Todas as manhãs
E vês sempre o mesmo
O vidro embaciado
A água da chuva ainda a escorrer pelo vidro
Lentamente...
As vezes tentas acreditar que um dia a janela vai-te mostrar outra realidade.

Aquela janela consome-te a mente
Todas as manhãs

Às vezes consegues ver vultos através dela
Mas nunca sabes quem são
E vives assim, fechado a olhar para a janela

Um dia senti que a querias partir
Mas és fraco de mais para conseguir tal proeza
Mas consegui sentir a tua apavorada curiosidade
Mas a tua fraqueza, falou bem mais alto
Bateu com o pé no chão, e matou-te.

Agoras que estas morto
De cabeça erguida para a janela
Sentes que ainda a queres destruir?
Ainda tens curiosidade de saber o que existe para além daquele vidro sujo?

A janela continua embaciada, a água da chuva continua a fazer o mesmo trajecto e o vidro continua sujo.
E tu, morto.

Agora que caíste sem amparo nesse chão frio de mármore
Sei que foste o pioneiro
O pioneiro das quedas.




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