sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Medo

Tenho frio

Esta casa está gelada

Cheira a sangue

Há pó em todo o lado

Cheira a terra

Cheira a terra molhada

Há alguém nesta casa

Consigo sentir o cheiro

Consigo ouvir o som de uma respiração ofegante

Tenho medo

Sinto medo

Respiro medo

Estou a ouvir o som de passos lentos sobre o chão rijo de madeira velha

Tenho medo

Sinto medo

Inspiro medo

Um medo que me cega, perante cada som desta casa…

Sinto que está alguém a aproximar-se

Cheira a sangue

Tenho cada vez mais frio

Oiço passos

Oiço a tal respiração

Oiço um som semelhante ao arrasto

Sinto medo

Cheira a medo

Cheira ainda mais a terra molhada

Expiro medo

Consigo até ver o medo

Está a apoderar-se

Está cada vez mais próximo

Eu sinto

Ele vem aí

Personificado, e vai matar-me

Eu sei

Eu sinto-o nas veias

O frio aumenta

A casa vai desabar, eu sinto um bafejar frio no meu pescoço

Estou nervoso

Estou a tremer

Sinto o sangue a percorrer cada parte do meu corpo

Fortemente

Como se não houvesse amanhã

E não havia

Pois esse medo que senti, era apenas a encenação da minha morte.

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