quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aquelas Ruas

Entraste nessas ruas sem pedir

E eu admirei esses passos

Foram belos e cautelosos

Esses passos foram sentidos como remendos

Mas que passos…

E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?

Ruas vazias só para mim

Para poder caminhar sem medo

Para poder dizer e fazer o que nunca foi feito

Para poder apenas respirar o que nunca foi respirado

Para poder soltar o meu ego e encontrar-me

Tenho a certeza que devo andar numa dessas ruas

Com aparência de vagabundo, nessas ruas

Que ninguém quer visitar

Onde ninguém quer morar

Onde ninguém quer morrer

Onde ninguém quer ser visto

E onde eu me perdi, sem saber

E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?

Apenas para poder correr descalço nas afiadas pedras da calçada

E sentir a dor… sentir que estou aqui e não perdido naquelas ruas

Para poder sentir que estou vivo e pronto a abandonar tais sítios

Com um ar de cobardia escondido algures entre a consciência e permanência

Com aquele ar que ninguém quer mostrar

Com aquele ar que existe, quando se visita tais ruas

Quando inconscientemente decides morar lá

Naquelas ruas… velhas, escuras, sujas e com gente

Gente que não conheces e nem queres conhecer

E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?

Para poder gritar e soltar toda a loucura que foi presa

Para poder ser eu sem que ninguém possa observar

Para poder ver aquelas ruas à minha maneira

Apenas para poder pintar anjos que nunca choram e céus que nunca caiem

Mas quem foi que roubou as paredes das minhas ruas?

Outrora, ruas de dignas de me sentir

Outrora, ruas, que apesar de ruas, eram as minhas ruas.

1 comentário:

  1. Gostei muito do texto, a tua expressão escrita está cada vez melhor! :P Quando lançares um livro quero o n.º1 autografado! Ahahah

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