Entraste nessas ruas sem pedir
E eu admirei esses passos
Foram belos e cautelosos
Esses passos foram sentidos como remendos
Mas que passos…
E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?
Ruas vazias só para mim
Para poder caminhar sem medo
Para poder dizer e fazer o que nunca foi feito
Para poder apenas respirar o que nunca foi respirado
Para poder soltar o meu ego e encontrar-me
Tenho a certeza que devo andar numa dessas ruas
Com aparência de vagabundo, nessas ruas
Que ninguém quer visitar
Onde ninguém quer morar
Onde ninguém quer morrer
Onde ninguém quer ser visto
E onde eu me perdi, sem saber
E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?
Apenas para poder correr descalço nas afiadas pedras da calçada
E sentir a dor… sentir que estou aqui e não perdido naquelas ruas
Para poder sentir que estou vivo e pronto a abandonar tais sítios
Com um ar de cobardia escondido algures entre a consciência e permanência
Com aquele ar que ninguém quer mostrar
Com aquele ar que existe, quando se visita tais ruas
Quando inconscientemente decides morar lá
Naquelas ruas… velhas, escuras, sujas e com gente
Gente que não conheces e nem queres conhecer
E se eu pedir para deixares essas ruas sem ninguém?
Para poder gritar e soltar toda a loucura que foi presa
Para poder ser eu sem que ninguém possa observar
Para poder ver aquelas ruas à minha maneira
Apenas para poder pintar anjos que nunca choram e céus que nunca caiem
Mas quem foi que roubou as paredes das minhas ruas?
Outrora, ruas de dignas de me sentir
Outrora, ruas, que apesar de ruas, eram as minhas ruas.
Gostei muito do texto, a tua expressão escrita está cada vez melhor! :P Quando lançares um livro quero o n.º1 autografado! Ahahah
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