quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Diálogos ferrugentos

Silêncio
Senta-te
Cala-te
Ouve
Come.

Nessa cadeira de ferro
Hás-de de permanecer
Até eu me calar.
Até eu te fazer sofrer.

Calma
Continua sentado
Fala
Não oiças
Vomita.

Nessa mesa de madeira velha
Hás-de engolir toda essa angústia
Ainda ensanguentada pela minha raiva
Até que me sinta saciado.

Serve-te dessa fúria
Grita
Chora
Pensa

Nesta sala, vive-se a teatralidade
Nesta sala sente-se o cheiro a cinza molhada
Nesta sala has-de morrer afogado no leito de uma conversa
De forma inquestionável.

Corre, foge, morreste.




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