segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Láudano

Em silêncio
Dentro dessa revolução
Que te preenche esse coração
Mostra-me que ainda queres caçar, beber e comer.

Come.
Bebe.
Caça.

Cada vez que te olho nos olhos
Vejo que estás em ruínas
Mas bebe, come e por favor caça.

Se ao menos pudesses cheirar
O que com tanta ironia te preparei
Com sarcasmos a boiar...
A agonia que te darei.

Beberás
Porque não resistirás
Ao veneno que rodeia
Nem a fome que irás sentir
Conseguirás impedir.

Um dia vais voltar a sentir a boca seca
Um dia vais sentir a dor
Um dia vais sentir a falta

Quando sentires de novo que és o rei do nada
E que os teus sonhos foram engolidos por alguém que não se apresenta
Irás voltar a ouvir
Irás voltar a ver
Irás voltar sentir
Certamente que acordarás em leve frequência:

Caça, Caça, Caça
Eu sou a presa.

Come, Come, Come.
Há carne crua.

Bebe, Bebe, Bebe
Eu sou o teu licor.
Eu sou o teu láudano.







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