quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eticamente Viciado

Ao início não saberás o que dizer.
Rapidamente o quererás experimentar.
Violentamente sentirás que estás em êxtase.

De seguida, quererás comer e beber dele,
Enquanto nas veias te correr
O sangue envenenado, nunca te irá cair a pedra que carregas.

O ego subirá, quando na mão tiveres,
Aquilo que com tanta exuberância guardarias,
Fechado num mundo de cores quentes.

Consequentemente, conhecerás os primeiros tons cinza.
Posteriormente, manchas de negro comprometidas com o desconforto.
Conclusivamente, sentirás que o poder do veneno se extinguiu do teu corpo.

O medo e o sentido funesto irão ser os teus novos vizinhos.
Irás querer mudar o sentido das cores da tua rua.
Irás desejar uma cidade onde não anoiteça.
Irás ansiar pelo dia em que a amnésia se apodere do teu controlo.

Andarás na rua, intimidado pela vida.
Mendigo serás, na travessa da inconformidade,
correndo em círculos provando o sabor da realidade.
Mais tarde, perceberás que estás embebido em vicio,
Que as ruas que frequentas não são todas no mesmo sentido,
Que existe noite na tua vida e que o veneno é realmente venenoso.

Um dia, acordarás cedo numa manha fria de Outono,
Abrirás a janela para sentir a brisa que te perfurará a pele,
E de uma só lufada de ar, admitirás,
Que o amor é um vicio.





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