No cruzamento das nojentas ruas
Por onde já é hábito passar,
Esqueci-me de mim.
Olhei-me no reflexo
De um charco de água turva
E não me vi.
As pessoas passavam
E olhavam-me com
O costume ar de nojo.
Eu
Leviano, quase como uma pena
Caída
De um pássaro qualquer,
Flutuava nos olhares indiscretos
Que violentamente me atravessavam.
Estava imune
De uma expressão vulnerável
E inesgotável.
Caí.
Ao cair,
Consegui sentir
Que ao longo destas ruas
Fui deixando ficar para trás
Partes de mim.
Ali
Lentamente, deixei-me ficar
Despido de mim
Acreditando que,
Um dia um espelho qualquer
Me queira mostrar
O que de mim se foi
E o que de mim se desvaneceu.
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