segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lobo Esfomeado

Embalado no entardecer
De uma imensidão luminosa
De gotículas de água, revejo
A glória triunfante que
Funde a vida humana
À paisagem.

Adormecido.
Adormecido com uma
Negra pedra vulcânica,
Mecanizado pela rarefacção
Do pensamento.

Vertiginosamente, no
Dorso da caminhada dos
Triângulos
Que por entre a multidão,
Admiram o cheiro da minha
Desgraçada imaginação, sobrevivo.

Numa curva, a enorme vontade
De voltar a nascer,
Acreditando que ainda consigo
Reconhecer, a pena com que escrevo.

Na noite, o desejo de voltar
A matar tudo aquilo
Que perturba os
Nossos filhos da madrugada.

Ao parar, o vazio ruidoso
Que adormece tudo o
Que se lhe opõe
Perseguindo o nada
Como um lobo esfomeado.

Conservado, no tempo
Hipnotizado na história
Pelo dinamismo
Do ser Humano, entre
Contos que nunca começam.

No fim, os vigorosos
Raios de luz
Aos pés de um percurso
Onde residem todas
Aquelas sílabas que
Amanhã roubarei.

domingo, 28 de novembro de 2010

Esquizofrénico

Ontem
Hoje
Amanhã
Depois de Amanhã

A qualquer hora
A qualquer momento
Num dia qualquer

De manhã
De tarde
Ao pôr-do-sol
À noite
De madrugada

Quando chove
Quando está sol
Quando neva
Quando cai geada
Quando se sente o orvalho

Num sábado
Num domingo
Num feriado

Ao pequeno-almoço
Ao almoço
Ao lanche
Ao jantar

No Quarto
Na rua
Num manicómio
Na morgue
No hospital

Em casa dele
Na sala dela
No quarto daqueles
Na cozinha dos outros

Atrás de uma pedra
Debaixo do pavimento
Dentro de uma garrafa
Em cima de uma carta
À frente da casa

Num baú
Numa mala
Numa gaveta
Na cama

Na terra
No mar
Na cidade
Numa aldeia
Numa árvore
No jardim

Esqueci-me do sítio certo
Onde me arrumei
Mas devo estar arrumado
Algures por aí.
Não sei.

sábado, 27 de novembro de 2010

Penumbra

Entre pequenos
Cruzamentos de tempo
A cidade tornou-se gelada.
Congelou.

Agora parece viver
Na inércia de dinamismo,
Alimentando-se do magnânimo vazio.

No ar,
Pairam valiosos pedaços
De melancolia em substituição de vida.

As emoções, não se fundem
Com a imensa insensibilidade
Que nasceu no tempo
E não se quer esconder.

Tal como as florestas,
As horas, os momentos,
Os fantasmas e a doença
Também as pessoas permanecem
Hirtas
Na penumbra luminosa
Que parece rastejar
Por entre as casas sem telhado
Daqueles que em dias como hoje,
Abortam os seus frágeis sentidos.



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Uma Utopia Qualquer

Hoje
No cruzamento das nojentas ruas
Por onde já é hábito passar,
Esqueci-me de mim.

Olhei-me no reflexo
De um charco de água turva
E não me vi.

As pessoas passavam
E olhavam-me com
O costume ar de nojo.

Eu
Leviano, quase como uma pena
Caída
De um pássaro qualquer,
Flutuava nos olhares indiscretos
Que violentamente me atravessavam.

Estava imune
De uma expressão vulnerável
E inesgotável.

Caí.

Ao cair,
Consegui sentir
Que ao longo destas ruas
Fui deixando ficar para trás
Partes de mim.

Ali
Lentamente, deixei-me ficar
Despido de mim
Acreditando que,
Um dia um espelho qualquer
Me queira mostrar
O que de mim se foi
E o que de mim se desvaneceu.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Amanhã

Amanhã, sem falta irei matar-me.
Amanhã, ao nascer da madrugada
Irei matar-me de mim
Olhar-me ao espelho
E gritar.
Gritar.
Gritar.

Vagueio cansado
Farto de faltar a compromissos e reuniões
Administradas pelo meu interior.

Entediado
Da estranha razão habituada
Continuo a esperar por amanhã.

Carrego esta simbiose de ideias
Por onde nunca esperei estar sentado,
Pacientemente à espera.

Neste antigo jardim
De meras quimeras
Espero por ti, amanhã.

Neste enfadonho momento
Rasgado por tudo o que está incerto
Este velho jardim, também morrerá
Em sintonia comigo
Amanhã, sem falta.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Insanidade

Numa grande chávena de café,
Reflexos de uma profunda e severa exaustão
Que vêm à tona da maré
Em noites de excessiva aflição.

A toalha, manchada de pensamentos
Entornados na noite anterior.

Nunca é suficiente
Todos os socalcos
Que a minha mente,
Jamais indiferente,
Concebe ao meu fiel tremor,
Sujo e dantesco
Como a minha agonia
em círculos de pavor.

Em Apneia

À noite, oiço paços no meu quarto.
A casa adormece enquanto a minha mente estremece.
Existe um fragor que não me deixa viajar.
Não sei se vá, ou se me deixe ficar.

À noite, murmuro nomes que desconheço...
À noite, corro em meu redor, sem rancor.
O robusto clarão diz-me sempre que padeço
De algo que me subordina
E que sinto do avesso.

Por mais que eu corra,
Mesmo que seja para bem longe daqui,
Já não sei se morra
Por tudo o que já sofri.

Continuo a ouvir, aquele murmúrio
Espinhoso e Petulante
Que me deixa insípido e ofegante.

A cada estrondo, uma facada
Que me deixa nu, no meio do nada.
Se ao menos a intrepidez
Com que me deito todas as noites
Me deixasse ausentar de vez,
Deste feroz mundo despovoado
Que cresceu na viuvez.

Nas ladeiras dos meus sonhos,
Existem clamores de uma multidão
Que se retirara em ligeiros paços
Preenchidos de exaustão.

O execrável tumulto que reside na minha mente
É vigorosamente insolente.
Apodera-se de mim
Fingindo-se clemente.

Ao deitar, sou profanado por todos estas incógnitas
Que me flagelam a sanidade
Que de tudo, é o que sinto mais saudade.




terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sociedade de Seda

Eles correm
Eles atropelam-se
O espírito renasce
Sufocam-se até, nas luzes.

Num ápice,
A alegria aceita reaparecer,
Em maré de hipocrisia
E continuam a correr.

Entre horas de algodão
E portões de solidão
Tudo continua a reaparecer.

Aos solavancos
Provam a triste saudade
Que morava no velho sótão
À uma eternidade.

Constroiem-se grandes monstros de cetim,
Enquanto outros esperam o seu digno fim
Em novelos de agulhas.

Uns choram.
Outros gritam.
Alguns mentem.
Todos o querem.

Pintam-se memórias
Recontam-se historias
Lamentam-se as escórias
Porque é Natal.

domingo, 21 de novembro de 2010

O Arte do Querer

Eu quero.

Eu quero ser o sol para nunca nascer.

Eu quero ser a chuva para inundar o obsoleto.

Eu quero ser a neve para gelar o mundo.

Eu quero ser uma tela para me pintar de preto.


Eu quero.

Eu quero ser a luz, para te ferir a visão.

Eu quero ser a doença que não tem cura.

Eu quero ser ferida que te dói noite e dia.


Eu quero.

Eu quero ser a arte que todos cospem.

Eu quero ser uma artéria que entope.

Eu quero ser o ar que respiras, para te asfixiar.


Eu quero.

Eu quero ser uma casa velha, abandonada por mim.

Eu quero ser o fogo para carbonizar as emoções.

Eu quero ser a música que ninguém ouve.


Eu quero.

Eu quero ser o surrealismo, o neoplasticismo e o dadaísmo

Para te matar de incompreensão.

Eu quero ser o sangue do teu vómito.


Eu quero.

Eu quero ser a estrada onde ninguém passa.

Eu quero ser a droga que todos consomem.

Eu quero ser o mar para te afogar.


Eu quero.

Eu quero ser as nuvens de inverno que te roubam os dias.

Eu quero ser o abstraccionismo lírico, para te perder em labirintos de expressão.

Eu quero ser o suprematismo pictórico, para te esmagar na pureza das formas geométricas.


Eu quero.

Eu quero ser o verde que já não o é.

Eu quero ser a morte e a arte de morrer.

Eu quero ser o ácido para te corroer.


Eu quero.

Eu quero ser o mendigo que todos desprezam.

Eu quero ser a fome e a sede que todos sentem.

Eu quero ser a dor que todos transportam no peito.


Eu quero.

Eu quero ser a religião para poder cuspir dogmas.

Eu quero ser a ciência para manipular o mundo.

Eu quero ser o sexo, a violação e o pudor.


Eu quero.

Eu quero ser uma andorinha, para partir e nunca mais regressar.

Eu quero ser o som mais agudo, para te ferir a audição.

Eu quero ser a violência que danifica a tua rua.


Eu quero.

Eu quero tudo e sempre mais.

A viagem

Através de um vidro,

A beleza de uma estação.

Perfurando a contraluz,

Uma nódoa de cor.


Ao longe, uma ponte frágil.

Ao perto, eu,

Congelado no leito do movimento,

Assistindo à arte da união

Entre a chuva e o vento.


Entre altos e baixos, o nevoeiro,

Solenemente anestesiando a paisagem.

O céu adormecido e o sol embriagado de luz,

Devoravam a melancolia da imagem.


Entre velhas pontes de fragilidade,

A vida em constante movimento.

No horizonte a luminosa linha,

Da vaidade e do crescimento.

No horizonte, a cidade.

Aqui, a liberdade.

sábado, 20 de novembro de 2010

Reticente

Novembro.
Outono.
Chuva.
Frio.
Apatia.
Melancolia.

No calor de uma chama,
Um diálogo de inocentes.
Ao som da chuva,
O barulho de gentes.

Cheguei...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eticamente Viciado

Ao início não saberás o que dizer.
Rapidamente o quererás experimentar.
Violentamente sentirás que estás em êxtase.

De seguida, quererás comer e beber dele,
Enquanto nas veias te correr
O sangue envenenado, nunca te irá cair a pedra que carregas.

O ego subirá, quando na mão tiveres,
Aquilo que com tanta exuberância guardarias,
Fechado num mundo de cores quentes.

Consequentemente, conhecerás os primeiros tons cinza.
Posteriormente, manchas de negro comprometidas com o desconforto.
Conclusivamente, sentirás que o poder do veneno se extinguiu do teu corpo.

O medo e o sentido funesto irão ser os teus novos vizinhos.
Irás querer mudar o sentido das cores da tua rua.
Irás desejar uma cidade onde não anoiteça.
Irás ansiar pelo dia em que a amnésia se apodere do teu controlo.

Andarás na rua, intimidado pela vida.
Mendigo serás, na travessa da inconformidade,
correndo em círculos provando o sabor da realidade.
Mais tarde, perceberás que estás embebido em vicio,
Que as ruas que frequentas não são todas no mesmo sentido,
Que existe noite na tua vida e que o veneno é realmente venenoso.

Um dia, acordarás cedo numa manha fria de Outono,
Abrirás a janela para sentir a brisa que te perfurará a pele,
E de uma só lufada de ar, admitirás,
Que o amor é um vicio.





terça-feira, 16 de novembro de 2010

Karma Dharma

O tempo já se mostrava em tons de azul.
Tu já estavas adormecido.
A cama mostrava-se sorridente.
O teu ar morria em tons escarlate.
O soalho, banhava-se neles.
A lâmpada flamejava de medo.

A noite parecia ter adormecido.
A janela continuava aberta.
As cortinas continuavam alegremente esvoaçando.

O silêncio engolia-nos.
As palavras tinham congelado.
Tu, estavas deitado no melhor lugar da plateia.

Quando o cheiro a sarcasmo ofegante nos tocou,
senti a sólida determinação...

Sentei-me ao teu lado.
Pensei.
Suspirei.

Passei a minha mão pela tua nuca.
Voltei a passar a faca junto da tua boca, que esbanjava escarlate.
Caminhei em direcção à janela.
Adormeci a lâmpada e ordenei:
- Sofre bem.

domingo, 14 de novembro de 2010

Cores Primárias

Caminhas entre teclas de piano.
Os teus dias são assombrados pelo meu passado.
Tentas encontrar conforto nas tuas palavras.
Falas aquilo que eu não consigo ouvir.

Mas à noite...
À noite tudo muda.
A paisagem é funesta.
O frio torna-se ainda mais frio.
E eu, sou ainda mais eu.

Oscilo entre sonhos e pesadelos.
Silêncio-me em pensamentos.
Susurro o que o espelho não me quer mostrar.

Ando perdido, entre páginas de um livro qualquer.
Corro ofegante, entre labirintos de palavras.
Tropeço em virgulas.
Sou esmagado por pontos finais.

Quando me deito no teu corpo,
frio como uma pedra de mármore, acordo.
Olho-me no espelho, e nada.
Noite após noite, apercebo-me.

Sou mudo de emoções.
Cego de prazer.
Surdo de te ver.
Talvez, incapacitado de viver.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Como um cão

Bebe-me.
Come-me.
Respira-me.
Defeca-me.
Ama-me.
Odeia-me.
Venera-me.
Repugna-me.
Admira-me.
Persegue-me.
Ordena-me.
Queima-me.
Molha-me.
Afoga-me.
Morde-me.
Cansa-me.
Arrasta-me.
Pisa-me.
Cospe-me.
Chicoteia-me.
Prende-me.
Crucifica-me.
Viola-me.
Rasga-me.
Mata-me.
Esfaqueia-me e enterra-me,
Numa cova bem profunda.
Agora, vomita tudo o que eu disse.

Insomnium

Cabelos adormecidos no chão.
Um tapete sujo.
Um enorme branco.
E um espelho desmaiado, encostado à parede.

Estavas perdido.
Havia uma porta trancada,
Comprimidos esmagados no chão,
Um pente partido...

Em cima da mesa,
Uma tecla de piano.
Água no chão.
Água na presa.

Condensaste o teu tremor num só gesto.
Sossegaste.
Ficaste desperto.
Desconfiado.
Descontrolado.
Acordaste.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Em ruinas

Vem.
Encontro-te permanentemente aqui,
Encostado às paredes deste corredor de hospital.
Estas paredes estão velhas.
Estas paredes estão manchadas de histórias.
Histórias que eu não quero ler.

Aqui vive-se outro ambiente.
Outra realidade.
A felicidade aqui é um segredo,
Que ninguém sabe a quem pode confiar.

Aqui vivem anjos.
Anjos com asas de prata.
Anjos que são ocos.
Anjos que sabem ler estas paredes.

Perante tal cenário de guerra,
Ainda existem manchas nestas paredes,
Que se expressam por esperança.
Muitas destas manchas,
Têm salpicos de dor e de amargura.

Não sei.
Não quero saber ler estas manchas.
Mas quero que venhas.
Porque agora que morreste,
Já não fazes nada neste corredor,
das paredes manchadas.

Vem.

Ruídos do fundo da tua rua

Existem ruídos,
Que atravessam paredes.
Que partem janelas.
Que incendeiam casas.
Que matam pessoas.

Alguns ruídos gritam agora lá fora.
Gritam pela independência.
Choram em penitência.

Porém, continuam a morrer nas esquinas.
São condenados, ignorados e apedrejados.
Transpiram aflição, em vão.

Derramam saudade no asfalto, agora esburacado.
Nunca ninguém os ouviu.
Nunca ninguém lhes deu a devida importância.

Hoje, és odiado por eles, que há décadas gritam ao fundo da tua rua.
Nunca os ouviste.
Eles ouviram-te.
Demasiadas vezes,
Mas nunca o suficiente.
Morreste-lhes.




terça-feira, 9 de novembro de 2010

La Danse Macabre

Todas as noites me atormentas.
Danças em redor da minha cama.
Grunhes enquanto formas sombras.
Sinto o frio que te atravessa a pele.

Contigo as noites costumam ser longas.
Contigo as noites costumam ser um pesadelo.

A tua dança hipnotiza-me,
Congela-me os sentidos...
Arrepia-me.

Iludes-me nos meus sonhos.
Desenho-te nos meus pesadelos.
Vives no meu corpo.
Dormes na minha mente.

És um fantasma.



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Urbem

Eu aqui
Fechado em ti
No leito de enormes monstros
Que me fazem sombra
Tentando sobreviver
Por mais uma noite, por mais um momento.

Aqui
A admirar a vida nocturna das luzes.
A apreciar os movimentos frenéticos que existem em ti.
A conspirar sobre cada som que os meus ouvidos devoram.

Às vezes sinto que quero estar aqui.
Assim como às vezes sinto que me vou esconder de ti.

Às vezes penso demasiado em ti.
Assim como às vezes vomito o que sei sobre ti
Na ânsia de te proteger e de não te querer ver morrer
Ali, aos pés de meio mundo
Despejando pelas estradas, memórias que ninguém se quer relembrar
Dilúvios verbais, desconhecidos.
Morrendo, ao som da multidão
Sendo levada, de rastos, pelo caos.

Não, Cidade.





Les Fauves

Na rua, ninguém.
Na rua não estava ninguém.
Estava tudo vazio.
Ainda senti o cheiro a vazio inconstante.

Na rua, eu.
Sozinho, ali, na rua.
Ainda sinto o cheiro.
O cheiro nauseabundo a carne esquartejada.
Era teu.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Láudano

Em silêncio
Dentro dessa revolução
Que te preenche esse coração
Mostra-me que ainda queres caçar, beber e comer.

Come.
Bebe.
Caça.

Cada vez que te olho nos olhos
Vejo que estás em ruínas
Mas bebe, come e por favor caça.

Se ao menos pudesses cheirar
O que com tanta ironia te preparei
Com sarcasmos a boiar...
A agonia que te darei.

Beberás
Porque não resistirás
Ao veneno que rodeia
Nem a fome que irás sentir
Conseguirás impedir.

Um dia vais voltar a sentir a boca seca
Um dia vais sentir a dor
Um dia vais sentir a falta

Quando sentires de novo que és o rei do nada
E que os teus sonhos foram engolidos por alguém que não se apresenta
Irás voltar a ouvir
Irás voltar a ver
Irás voltar sentir
Certamente que acordarás em leve frequência:

Caça, Caça, Caça
Eu sou a presa.

Come, Come, Come.
Há carne crua.

Bebe, Bebe, Bebe
Eu sou o teu licor.
Eu sou o teu láudano.