sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
O Fim
O início
domingo, 26 de dezembro de 2010
Narciso Bravo
sábado, 25 de dezembro de 2010
Noite Fria
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Jardim de Inverno
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Violleta
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Depois do Adeus, o Adeus
domingo, 19 de dezembro de 2010
O Silêncio é um Vírus
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A Sombra da Dúvida
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Maligno
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
A aldeia do Nevoeiro
Enterrado num arrepio
E olhei
Para o frio que regressava da montanha.
A minha pele
Conseguia o branco
Ainda mais branco do que a cal
Envelhecida numa anónima parede.
Nenhum olhar.
Nas mãos,
A idade e as histórias recontadas
Ao som do crepitar do lume
No demorado anoitecer do coração.
Na ladeira,
O escorregadio piso que provocava
A queda dos mais fracos
Tropeçando nos problemas aprisionados
Durante décadas, no interior.
Olhares cansados,
De anos de luta e de luto.
Melodias funestas que bailavam
Em cada gesto
Em cada atitude
Em cada sorriso disfarçado
Em cada passo
Esperando o sopro do sono, pacientes.
Amedrontados,
Com a face do que mais estranho lhes habita
Nos velhos dias
Controlando todos os que caminham sob a água
Transpirando cem anos de vida.
Os rostos,
Gastos como as pedras da calçada
Vivem como telas afastadas da ribalta
Como velhos.
A cada fechar de olhos,
O medo de nunca mais os poder abrir
Temendo que os dias murchem
E nunca mais desabrochem cedo, todas as manhãs.
Todos os estranhos,
Abandonam agora a gôndola
Caminhando para longe
Sob o peso de tudo
O que colheram no dia do adeus.
Poderiam passar anos,
Mas a fome de viver
Nunca se iria render
Ao permanente estado de espírito
Quase febril, desta terra.
Os homens,
Queimam balas com os olhos
Cegam a luz do dia com as sombras
Embalam todas as mentiras
E partem para o amanhecer
Sem vontade de aprender
Ou até de viver
Estes seres
Que sem falar
Relatam lendas através do corpo
E sem escrever
Fazem ler nos seus rostos
Todos os dias chumbados pelo passado.
Nos seus olhares, o nenhum,
Confundido com a cegueira
Noutro tempo chamada de vida.
Pausa
Hoje apenas vejo fumo
Atravessando todos os ramos das árvores
Como se fosse nevoeiro.
Desta vez, a paisagem
Não tinha adormecido
Unicamente se tinha esquecido
De viver.
Estava perante uma tarde
Sepultada num contemporâneo
Cemitério de Natureza.
Tudo era comparável ao sono
Tudo estava em apneia, em pausa, a dormir...
O vento tentava acordar
Todos os que pareciam ter partido.
O céu, tinha desistido
Estava sossegado e manchado de nuvens.
A vida deste quadro de cores frias
Estava guardada em segredo
Para aqueles que se recusaram a silenciar.
Era pasmado, o olhar desta natureza.
Eram berços de vida
Abstidos de movimento
Desde o dia em que não os visitei.
Talvez queiram responder
À cobardia que lhes apresentei
Na viçosa e serena manhã
Em que fugi sem avisar
Para a floresta cinzenta.
As casas estavam melindrosas
Não correspondiam ao meu olhar.
As telhas tinham enegrecido
De saudade ou de tristeza.
Era proibido proibir a entrada
E a saída da escanzelada esperança.
A esperança costumava-se misturar
No verde da imagem
Mesmo nas estações mais agrestes
Que lhe ameaçavam o fôlego.
Hoje, o verde é quase tóxico.
Faz doer no olhar
E magoa todos os abraços que não dei
Assim como a tristeza que nunca beberei.
Se o "não"
É o aperto que costumo sentir
Peço perdão
Porque vou partir
De novo.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Estilhaços
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Acre
Sem Freio
Ébrio De Mim
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Estigma do Tempo
domingo, 5 de dezembro de 2010
A Morada do Silêncio
sábado, 4 de dezembro de 2010
O Homem e a tempestade
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Morfemas
Não conheces toda esta heresia
Que te servem fria, à mesa.
Quanto mais a tentas perceber
Mais perdido te encontras
Julgando viver num mundo de morfemas.
São Pecadores, vencedores, amadores,
Devedores e Impostores
Que assaltam as estradas
Em busca de ti
Transformando o subliminar caos em realidade.
Quando acordas
Estás submerso de mentiras
Trancado em dramáticas memórias
Como uma sala de teatro
Sem expectadores
Vazia, com os seus habituais fantasmas.
O medo nasce na vontade de gritar
Como uma erva daninha no gelo
Tentando vencer
Sabendo que nunca irá existir
Reagindo à pobre luz
Que tenta emergir no dia
Como o recomeçar de uma história
Incerto e Inseguro.
Vendem-se sonetos a avulso
Formalidades pré-concebidas
Irregularidades conhecidas
Ditaduras escondidas
Animais enjaulados
E verdades perdidas.
Neste solo, existe tudo
Menos liberdade.
A liberdade foi roubada
Por aqueles que todos falam
Mas ninguém ousa dizer quem.
Vive-se o medo
Alimenta-se a indisposição
Comenta-se o apreço
Explora-se em comunhão
Em sentido inverso à rotação da terra.
Ladram os cães
Aos perfumes estranhos que passam
Nos becos sujos e adoentados que não têm saída.
Vírus que se disfarçam de linguagem
Que percorrem o mundo, levados em singelas cartas
Seladas com o escárnio de quem as vê.
As luzes choram como escravas
Imaginando o avesso da noite
Aveludada com brandos costumes
Como aquelas que existem
No catálogo utópico de um desconhecido.
São metáforas, tudo aquilo que vemos
São breves instantes que não fazem sentido
São páginas rasgadas num percurso singular
São retratos de uma sociedade.
Existo
Nem sempre somos pedra
Assim como nem sempre somos
O suficientemente inquebráveis
Como tentamos pintar, todos os dias.
Às vezes também somos o rio
Que arrasta tudo
Pelas margens
Onde existem espelhos invés de árvores
Que te mostram todos os detritos
Que vao embrulhados junto a ti, na corrente.
E se nos deitarmos aqui
E se não nos quisermos levantar
Ficaremos indiferentes para sempre
Como o lixo que nunca quisemos ser.
Reduzimo-nos a cinza
Pó.
Claustrofobia
Em absoluto desespero
Ouvindo a chuva cair.
A cada pingo de chuva, uma facada.
Tic Tac Tic Tac
O tempo já não é suficiente
A parede continua a apertar
O vento continua a soprar
A cada pingo de chuva, uma ferida.
Tic Tac Tic Tac
Nada do que vejo
Não existe espaço
Não existe altura
O meu corpo irá desabar.
Tic Tac Tic Tac
Ranjo os dentes
Dentro desta ira
Que me rouba o diâmetro
A uma grande e fria distância.
Tic Tac Tic Tac
Aos meus olhos
Nada será mais valioso do que o ego
Que me transporta por entre estas paredes
Que teimam em apertar a cada simples pestanejar.
Tic Tac Tic Tac
Existe um sentimento insípido que me gasta a pele
Uma aflição que me asfixia
As lágrimas que não ousam sair
O tremor que transpiro
Tudo a emergir do meu eu
Como uma mentira descalça a caminhar num pântano.
Tic Tac Tic Tac
A cada patamar
Um obstáculo que me enfeitiça
Que me enlouquece.
Fico perdido
Sem saber como me libertar de mim
Tudo isto apenas
numa inocente volta dos ponteiros do relógio.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Violino Sem Cordas
Nesta casa o tempo passará a ser mudo
Como um violino sem cordas.
Nesta perversa luxúria
Me deitarei todos os dias de existência
Ao relento que existe em cada canto desta casa.
Na algibeira
Trago todas as coisas estranhas
Que tenho para dizer
Embora não saiba se as hei-de dizer agora
Ou depois de morrer.
No Inverno da minha presença
Senti-me quente e salvo
Em tom de melodia
Como se nunca chovesse no meu corpo.
Nunca soube qual a melhor altura
Para sair e entrar de cena
Porque na verdade
Eu sempre fui o palco desta casa.
É delicada a forma como me retiro
É penosa a atitude com que vivo
É cuidadoso, o eco desta vida
Que no fim se pronuncia
Na beleza do adeus do branco
Como um prego a perfurar madeira velha.
No lugar do coração
Talvez um venenoso gemido
Tímido e comprimido
No lugar errado
Generosamente esquecido na casa, por mim.
Em dias de tempestade
Afogo-me na minha voz
E caio, caio sem nunca mais me levantar
Como uma aurora burial no deserto.
A Cadeira
E voltei a sentar-me de novo
Que habitava o canto da sala
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Lobo Esfomeado
domingo, 28 de novembro de 2010
Esquizofrénico
sábado, 27 de novembro de 2010
Penumbra
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Uma Utopia Qualquer
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Amanhã
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Insanidade
Em Apneia
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Sociedade de Seda
domingo, 21 de novembro de 2010
O Arte do Querer
Eu quero.
Eu quero ser o sol para nunca nascer.
Eu quero ser a chuva para inundar o obsoleto.
Eu quero ser a neve para gelar o mundo.
Eu quero ser uma tela para me pintar de preto.
Eu quero.
Eu quero ser a luz, para te ferir a visão.
Eu quero ser a doença que não tem cura.
Eu quero ser ferida que te dói noite e dia.
Eu quero.
Eu quero ser a arte que todos cospem.
Eu quero ser uma artéria que entope.
Eu quero ser o ar que respiras, para te asfixiar.
Eu quero.
Eu quero ser uma casa velha, abandonada por mim.
Eu quero ser o fogo para carbonizar as emoções.
Eu quero ser a música que ninguém ouve.
Eu quero.
Eu quero ser o surrealismo, o neoplasticismo e o dadaísmo
Para te matar de incompreensão.
Eu quero ser o sangue do teu vómito.
Eu quero.
Eu quero ser a estrada onde ninguém passa.
Eu quero ser a droga que todos consomem.
Eu quero ser o mar para te afogar.
Eu quero.
Eu quero ser as nuvens de inverno que te roubam os dias.
Eu quero ser o abstraccionismo lírico, para te perder em labirintos de expressão.
Eu quero ser o suprematismo pictórico, para te esmagar na pureza das formas geométricas.
Eu quero.
Eu quero ser o verde que já não o é.
Eu quero ser a morte e a arte de morrer.
Eu quero ser o ácido para te corroer.
Eu quero.
Eu quero ser o mendigo que todos desprezam.
Eu quero ser a fome e a sede que todos sentem.
Eu quero ser a dor que todos transportam no peito.
Eu quero.
Eu quero ser a religião para poder cuspir dogmas.
Eu quero ser a ciência para manipular o mundo.
Eu quero ser o sexo, a violação e o pudor.
Eu quero.
Eu quero ser uma andorinha, para partir e nunca mais regressar.
Eu quero ser o som mais agudo, para te ferir a audição.
Eu quero ser a violência que danifica a tua rua.
Eu quero.
Eu quero tudo e sempre mais.
A viagem
Através de um vidro,
A beleza de uma estação.
Perfurando a contraluz,
Uma nódoa de cor.
Ao longe, uma ponte frágil.
Ao perto, eu,
Congelado no leito do movimento,
Assistindo à arte da união
Entre a chuva e o vento.
Entre altos e baixos, o nevoeiro,
Solenemente anestesiando a paisagem.
O céu adormecido e o sol embriagado de luz,
Devoravam a melancolia da imagem.
Entre velhas pontes de fragilidade,
A vida em constante movimento.
No horizonte a luminosa linha,
Da vaidade e do crescimento.
No horizonte, a cidade.
Aqui, a liberdade.