Não conheces toda esta heresia
Que te servem fria, à mesa.
Quanto mais a tentas perceber
Mais perdido te encontras
Julgando viver num mundo de morfemas.
São Pecadores, vencedores, amadores,
Devedores e Impostores
Que assaltam as estradas
Em busca de ti
Transformando o subliminar caos em realidade.
Quando acordas
Estás submerso de mentiras
Trancado em dramáticas memórias
Como uma sala de teatro
Sem expectadores
Vazia, com os seus habituais fantasmas.
O medo nasce na vontade de gritar
Como uma erva daninha no gelo
Tentando vencer
Sabendo que nunca irá existir
Reagindo à pobre luz
Que tenta emergir no dia
Como o recomeçar de uma história
Incerto e Inseguro.
Vendem-se sonetos a avulso
Formalidades pré-concebidas
Irregularidades conhecidas
Ditaduras escondidas
Animais enjaulados
E verdades perdidas.
Neste solo, existe tudo
Menos liberdade.
A liberdade foi roubada
Por aqueles que todos falam
Mas ninguém ousa dizer quem.
Vive-se o medo
Alimenta-se a indisposição
Comenta-se o apreço
Explora-se em comunhão
Em sentido inverso à rotação da terra.
Ladram os cães
Aos perfumes estranhos que passam
Nos becos sujos e adoentados que não têm saída.
Vírus que se disfarçam de linguagem
Que percorrem o mundo, levados em singelas cartas
Seladas com o escárnio de quem as vê.
As luzes choram como escravas
Imaginando o avesso da noite
Aveludada com brandos costumes
Como aquelas que existem
No catálogo utópico de um desconhecido.
São metáforas, tudo aquilo que vemos
São breves instantes que não fazem sentido
São páginas rasgadas num percurso singular
São retratos de uma sociedade.
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