domingo, 19 de dezembro de 2010

O Silêncio é um Vírus

Quando toda a destruição do Homem
E toda a corrupção do universo
Assaltam todos os pedaços
Que ainda restam de mim
Decido gastar-me à espera
Que um dia, o dia seja amante da noite
Assim como eu, amante do meu corpo.

Está tudo em chamas
Neste inferno de conclusões inacabadas
Onde me encontro
À espera de mim.

No leito desta degradação
Encontro-me nas sombras
Dos momentos em que me esqueço
Que não sei quem sou.
Não sei.

Se existisse
Poderia aninhar-me
Atrás daquilo que desconheço
E permanecer gélido.

Se existisse
Poderia olhar por entre as fendas
E absorver toda a ausência do ser
Que não nasceu
Nem nunca conheceu
O som das palavras que digo
E que vi morrer
Nos teus braços.

Engoles o mundo
O meu e o teu
Num faminto silêncio
Que me força a caminhar
Por áreas perigosamente desconhecidas.

Abomino a guerra
Que existe dentro de mim
Conflituosa como uma insónia
Que não deixa partir
Do mundo impingido
Ao mundo imaginário.

As horas tardias
Continuam a perseguir
Todos aqueles que vomitam
A voz muda
Todos aqueles a quem foi servido
Do melhor vazio da casa.

Nesta pequena ilha
Onde vivo como um mendigo
Existem momentos que voam como borboletas
Feridas nas suas frágeis asas
Assim como eu
Uma ferida, relembrada a cada passo
A cada inspirar, a cada expirar
Até que me falte o ar que respiro.






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