Reparava na profundidade
Do teu miserável olhar.
A tua infância tinha sido
Amargamente sequestrada
Por um cego nevoeiro
Que ainda hoje
Regressa, disfarçado
Numa onda nostálgica de Inverno.
Entre recantos
De bravia natureza
Fundida aos poucos
Para uma sólida e desconfortável
Caixa cinzenta, era visível
O sentimento claustrofóbico
Que te burlava a mais intima dor
Que escondes no fundo
De um velho baú.
Caíram enumeras vezes
As preciosas pérolas
Dos teus olhos
Que corroeram toda a nitidez
Dos retratos gastos
Pelos estado atmosférico
Do passado, remendado como
Uma desprezada boneca de trapos.
Num brusco movimento
A vida consciente
Voltou a destruir
Todo aquele espaço branco
Cravado no teu interior
Como uma nota tóxica
Despejada no teu corpo
Que te obstruía todas
As possíveis saídas
Do labirinto onde dormias
Como uma pétala seca
De um Narciso.
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