terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pausa

Hoje não.
Hoje apenas vejo fumo
Atravessando todos os ramos das árvores
Como se fosse nevoeiro.
Desta vez, a paisagem
Não tinha adormecido
Unicamente se tinha esquecido
De viver.

Estava perante uma tarde
Sepultada num contemporâneo
Cemitério de Natureza.
Tudo era comparável ao sono
Tudo estava em apneia, em pausa, a dormir...

O vento tentava acordar
Todos os que pareciam ter partido.
O céu, tinha desistido
Estava sossegado e manchado de nuvens.

A vida deste quadro de cores frias
Estava guardada em segredo
Para aqueles que se recusaram a silenciar.

Era pasmado, o olhar desta natureza.
Eram berços de vida
Abstidos de movimento
Desde o dia em que não os visitei.

Talvez queiram responder
À cobardia que lhes apresentei
Na viçosa e serena manhã
Em que fugi sem avisar
Para a floresta cinzenta.

As casas estavam melindrosas
Não correspondiam ao meu olhar.
As telhas tinham enegrecido
De saudade ou de tristeza.
Era proibido proibir a entrada
E a saída da escanzelada esperança.

A esperança costumava-se misturar
No verde da imagem
Mesmo nas estações mais agrestes
Que lhe ameaçavam o fôlego.

Hoje, o verde é quase tóxico.
Faz doer no olhar
E magoa todos os abraços que não dei
Assim como a tristeza que nunca beberei.

Se o "não"
É o aperto que costumo sentir
Peço perdão
Porque vou partir
De novo.

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