quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Acre

Ácido
Ácido como nunca o foi
Amargo, como sempre.

Quando me foi dito para começar, pensei.
Não sabia se poderia entrar de olhar persistente
Numa casa escondida na sombra de uma colina
Com a faca na mão.

Estava farto de me mentir
Assim de medo ao peito
Abraçado aquilo que sempre acreditei
E que nunca existiu
Como os sonhos de domingo à tarde
Sombrios e inexistentes.

Foi de manhã bem cedo
Quando me senti cansado de iniciar monólogos
Que me derrotavam devagar
Sabendo que eu não conhecia a quem a minha
Palavra se dirigia. Pensei.

Visto do céu, o vazio parecia preencher-me
Com agressivos e espirituais banhos de culpa.
Aquele espaço oco, purificava a inocente casa
Apoiada numa sombra cheia de questões.

A casa guinchou o meu nome
Numa frequência inigualável
A qualquer outra conhecida.
Entrei: no chão dormiam roupas velhas,
Abandonadas ao nível de um ser humano
Onde a idade é uma incógnita
Esquecida num dos solitários passeios pela cidade.

Chamei por todos os que conhecia
E ninguém me respondeu.
As janelas da casa estavam abertas
E as portas eram cortinas de renda branca.

Ao fundo do corredor
Morava um enorme espelho.
Sentei-me ao seu lado e comecei a conversar.
Perguntei-lhe imensas vezes
Como se chamava a casa abandonada
Na sombra de uma colina
Mas só o vento me respondia
Fazendo baloiçar todas as velhas janelas.
Nunca me respondeu.
Nem nunca me disse quem era.
Quando parecia querer falar
Fingia estar ocupado em reflectir o meu vulto
Ignorando todo o meu discurso como
Todas as partes do meu corpo fazem
Quando início um monólogo, nas noites de insónias.

Acordei.









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