quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Violino Sem Cordas

Sem mais rodeios
Nesta casa o tempo passará a ser mudo
Como um violino sem cordas.

Nesta perversa luxúria
Me deitarei todos os dias de existência
Ao relento que existe em cada canto desta casa.

Na algibeira
Trago todas as coisas estranhas
Que tenho para dizer
Embora não saiba se as hei-de dizer agora
Ou depois de morrer.

No Inverno da minha presença
Senti-me quente e salvo
Em tom de melodia
Como se nunca chovesse no meu corpo.

Nunca soube qual a melhor altura
Para sair e entrar de cena
Porque na verdade
Eu sempre fui o palco desta casa.

É delicada a forma como me retiro
É penosa a atitude com que vivo
É cuidadoso, o eco desta vida
Que no fim se pronuncia
Na beleza do adeus do branco
Como um prego a perfurar madeira velha.

No lugar do coração
Talvez um venenoso gemido
Tímido e comprimido
No lugar errado
Generosamente esquecido na casa, por mim.

Em dias de tempestade
Afogo-me na minha voz
E caio, caio sem nunca mais me levantar
Como uma aurora burial no deserto.

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