Apercebo-me que estás a morrer
Mais uma vez.
Nunca te cansaste da morte.
Tu próprio
Através de pequenas metáforas,
Ironias
E personificações
Ofereces o que de melhor sabes fazer.
Quando passas
Cobres tudo
Com suaves mantos sépia e escarlate.
Todas as noite
Ao repetido som da chuva
Que me ofereces
Questiono-me
Sobre a tua personalidade.
Sempre em vão
Como o vento soão
Que trazes contigo
Amarrado
Ao teu coração
De pedra.
Através deste vidro
Embaciado pelo teu bafo
Alimento-me
De uma visão desfocada e amarelada
Que me impede de presenciar
A tua gloriosa despedida.
Irei sentir saudade.
Irei permanecer ansioso pelo teu regresso.
Confiei-te o manto negro
Quero que o preserves
Como uma esmeralda numa planície árida.
Foi no teu leito
Que ele se deixou partir.
Foi na tua presença
Que me despedi.
Foi durante o teu reinado
Que deixei cair
As tais lágrimas
Filhas da dor.
Tu sentiste
E guardaste-as
Em segredo.
Só Tu
E Eu
Sabemos que
O manto que morre
Já não volta
Apenas se arrasta nas memórias
De uma estação, como tu, Outono.
Sem comentários:
Enviar um comentário