terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Estigma do Tempo

As palavras que lhe fugiram
Por entre os lábios
Eram como fortes rajadas de vento
Que fazem perder o sentido
Do planeado rumo que nunca aconteceu.

Eu, como caravela
De vela frágil e gasta
À deriva na água
Inundado de lodo
Como um ser abandonado pela vida
No fundo do mar.

A enferrujada âncora
Ficou perdida numa
Das noites gélidas de tempestade
Próximo das ilhas desertas
do meu exausto pensamento.

Neste Porto
Onde os sonetos são o Sol
Que ergue os frutos da incerteza
Permaneço numa vaga e subnutrida solidão
Esperando dias sem conta
Que o mar se acalme.

É branda a forma como soltas estas fonias
Em forma de palavras, frases e textos
Que explodem na minha cara
Deixando-me cego desta rude paisagem.

Sobrevivo no meio deste temporal
Flutuando em cima de brancas mentiras
Esperando que um ser necrófago me devore
Pensando encontrar abrigo neste fantasiado caminho.

Cristalizado, a remar em viagem ao nada
Sentindo saudades de ver a minha sombra
Tentando não afundar, desvaneço em águas bravas
Conhecendo o habitual e tão aclamado fim.

Nesta praia de areia negra
Encontra-se agora o meu corpo
Magoado e congelado pelo desejo
De que um dia
As palavras deixem de ser o sopro
Que me afasta da margem.





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