Eu sei que consegues ouvir
Todos estes demónios
Que não te pertencem
Que não me pertencem.
O teu toque
Soa a teclas de piano
Sequestradas num sito desprezível
Ansiosas pelo embate do teu vulto.
Se conseguires cheirar
Percebes a venenosa fragância
Que nasce neste ar, no leito bipolar
Que existe à nossa volta.
Cresce um majestoso alerta
Ao brusco cair da noite
Que desperta toda a loucura
Que tinhas guardado na gaveta
No Outono passado.
É vadia, toda a vontade
Com que deste liberdade
A todos os medos
Refugiados em mim, como assassinos.
Os teus berros
São como um simples ruído
Focado, como cada lágrima
Que hoje e sempre
Te escorrerá pelo rosto
Recordando-te como
É o embate da água na pedra.
Na verdade
Sempre receei cair
E agora que finalmente esse receio
Se desfez ao embater na terra
Não me quero levantar.
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