Um vulto ao longe
Estava vento
O solo estava vestido por folhas secas de plátano
Os ciprestes dançavam ao ritmo do vento
E eu, ali, sentado, a admirar o belo.
O vento a descarregar a fúria
O sol a lutar contra as nuvens negras
As árvores despidas de morte
Os lábios secos
O corpo frio como o mármore
E os ciprestes...
Os ciprestes estavam firmes e com vitalidade
Eram a vida no cenário decadente
Eram quem mais gritava
Eram quem tinha mais sangue nas veias.
Talvez tal vitalidade
Fosse fruto de seres que outrora ja a tiveram
Talvez fosse roubada
Aos inanimados que as rodeiam
Aqueles pra quem elas dançam
Nas ventosas tardes de Outono
Ou talvez...
Há sempre um talvez nestas minhas tardes de Outono.
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